Justiça determina que Praia Norte pague mais de R$ 44 mil a professora por descumprimento do piso nacional

IMG

A Justiça do Tocantins condenou o município de Praia Norte a pagar R$ 44.655,69 a uma professora da rede municipal após constatar diferenças salariais relacionadas ao não cumprimento do piso nacional do magistério.

A decisão foi assinada pelo juiz Jefferson David Asevedo Ramos, da 1ª Vara Cível de Augustinópolis. A ação foi apresentada pela professora em conjunto com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Estado do Tocantins (Sintet).

Segundo o processo, a servidora recebeu vencimento-base abaixo do piso salarial nacional durante os anos de 2022, 2023 e 2024. Para comprovar a irregularidade, foram anexadas fichas financeiras e uma planilha comparando os valores pagos com o que deveria ter sido depositado conforme a Lei Federal nº 11.738/2008.

Após a análise dos documentos, a Justiça reconheceu que houve diferença salarial, que totaliza R$ 44.655,69, já atualizados até abril de 2025.

Na sentença, o magistrado ressaltou que o piso do magistério deve ser aplicado como valor inicial da carreira dos professores, entendimento já consolidado em tribunais superiores. Ele destacou ainda que o papel do Judiciário, neste caso, é garantir o cumprimento de um direito já previsto em lei federal.

Além do pagamento da diferença salarial, o município também foi condenado a arcar com os reflexos desses valores no 13º salário, nas férias acrescidas de um terço constitucional e em eventuais horas extras relativas ao período. Esses valores ainda serão definidos na fase de liquidação da sentença.

A decisão também determina que a prefeitura pague honorários advocatícios fixados em 10% sobre o valor da condenação, além das custas processuais.

O presidente do Sintet, José Roque Santiago, afirmou que a sentença representa um avanço na defesa dos direitos dos profissionais da educação e reforça a necessidade de cumprimento da legislação que estabelece o piso nacional do magistério.

Tensão na educação municipal

A decisão judicial ocorre em um momento de desgaste entre professores da rede municipal e a administração de Praia Norte.

Em novembro de 2025, o Ministério Público do Tocantins recomendou que a prefeitura regularizasse pendências com os profissionais da educação, entre elas o pagamento do 13º salário referente aos anos de 2023 e 2024 e a aplicação completa do piso nacional.

Na ocasião, o Sintet denunciou atrasos salariais e o descumprimento de acordos firmados com a categoria.

No mês seguinte, educadores da rede municipal decidiram manter estado de greve e chegaram a alertar que o ano letivo de 2026 poderia ser comprometido caso as reivindicações não fossem atendidas.

Deixe um comentário

Your email address will not be published.

Don't Miss

474473

Governo autoriza inicio de obras em 80 km da rodovia TO-010 na região do Bico do Papagaio

O governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa, assinou nesta quarta-feira (22),
IMG

Pesquisa no Tocantins mostra disputa acirrada entre Lula da Silva e Flávio Bolsonaro

De acordo com o levantamento, registrado sob o número BR-00664/2026