No Bico, Kátia Abreu aposta em mobilização de Lula e transforma caravana em teste de força política

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População reunida em Axixá do Tocantins/ Foto: Divulgação

A movimentação política que tomou conta do Bico do Papagaio nesta semana tem um personagem central: a ex-senadora Kátia Abreu. Coordenadora da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva no Tocantins, ela percorre a região em uma caravana que passa por 13 municípios entre os dias 20 e 23 de agosto.

Mais do que uma sequência de reuniões, a agenda representa a tentativa de levar a campanha presidencial para dentro dos municípios e transformar a presença de lideranças em mobilização de base. O Bico foi escolhido como ponto de partida de um giro que, segundo a organização, deverá alcançar outras regiões do Tocantins nas próximas semanas.

Em entrevista ao jornalista Arimateia Júnior, da Nativa FM, Kátia Abreu deixou claro que considera a comunicação regional uma peça importante nessa estratégia. Ao falar sobre a entrevista, destacou a audiência da emissora e a capacidade de alcançar praticamente todo o Bico.

A fala revela uma preocupação que vai além do palanque: falar com um eleitorado espalhado por dezenas de municípios exige utilizar os meios de comunicação que já possuem presença e credibilidade na região.

Uma região escolhida por estratégia

A escolha do Bico do Papagaio não acontece por acaso. A região tem uma identidade política própria, forte presença de trabalhadores rurais e movimentos sociais e um histórico de mobilização em torno de pautas sociais.

É justamente nesse território que a campanha pretende apresentar ações do governo federal e relembrar políticas públicas que chegaram aos municípios.

Kátia tem adotado um discurso baseado em três verbos: lembrar, ouvir e mobilizar.

Na entrevista à Nativa FM, ela também tratou da disputa presidencial como uma eleição sem resultado antecipado. Para a ex-senadora, o desafio é recuperar na memória do eleitor o que foram os três governos de Lula e apresentar o que poderá ser realizado em um eventual quarto mandato.

A estratégia também aparece nas agendas presenciais. Durante a passagem pelo Bico, a coordenação afirma que a proposta é ouvir moradores e lideranças e apresentar ações realizadas pelos governos petistas.

A chegada de Lurian amplia o peso da caravana

A mobilização ganhou um elemento novo nesta sexta-feira (21), quando Lurian Lula da Silva, filha do presidente, passou a integrar a caravana.

Segundo Kátia Abreu, Lurian foi convidada para reforçar a mobilização e acompanhar a agenda pelo Bico até domingo. A participação aproxima ainda mais a caravana da figura do próprio presidente e dá ao roteiro um componente simbólico importante para os apoiadores de Lula.

A presença de Lurian também muda a dimensão da agenda. O que começou como uma mobilização regional coordenada por uma liderança tocantinense passa a carregar, de maneira mais direta, a representação política da família do presidente.

Mas há uma disputa dentro da própria base

Por trás da mobilização em torno de Lula existe também uma realidade mais complexa.

A caravana de Kátia Abreu não é exatamente a mesma agenda conduzida pelo grupo de Paulo Mourão e aliados de Laurez Moreira. Embora todos estejam no campo de apoio à candidatura de Lula, as movimentações acontecem de forma independente.

Paulo Mourão, candidato ao Senado, também percorreu municípios do Bico acompanhado do candidato a vice-governador Coronel Silva Neto. A movimentação busca associar as candidaturas estaduais ao projeto de Lula e à candidatura de Laurez Moreira ao Governo do Tocantins.

A própria coordenação de Kátia chegou a afirmar que a caravana organizada por ela seria uma mobilização específica em defesa de Lula, enquanto a equipe de Mourão divulgava uma agenda paralela pelo mesmo roteiro.

É nesse ponto que a caravana ganha uma dimensão que ultrapassa a eleição presidencial: ela também expõe como os diferentes grupos que apoiam Lula estão tentando ocupar espaço dentro da mesma base política.

Esperantina no roteiro

Neste sábado (22), a caravana chega a Esperantina às 17h, depois de passar por Itaguatins, Buriti do Tocantins e São Sebastião do Tocantins. À noite, segue para Araguatins.

A passagem por Esperantina coloca o município novamente no radar de uma das principais articulações políticas do Estado e deve reunir apoiadores, lideranças locais e integrantes da campanha.

O roteiro termina no domingo, em Tocantinópolis, depois de quatro dias de deslocamentos pelo extremo norte do Tocantins.

No discurso, Kátia Abreu apresenta a caravana como uma forma de aproximar Lula das pessoas. Na prática, o movimento também funciona como um teste de capacidade de mobilização política.

A pergunta que fica não é apenas quantas cidades a caravana consegue visitar, mas quantas lideranças consegue organizar, quantos apoiadores consegue mobilizar e, principalmente, se a presença física da campanha será capaz de se transformar em voto nas urnas.

No Bico do Papagaio, onde a política costuma ser feita muito próxima das comunidades, esse resultado será observado de perto.

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