Roda de conversa no Colégio Atanazio de Moura Seixas promove reflexão sobre violência contra a mulher

Atividade do projeto “Elas têm voz” abordou machismo, respeito, igualdade e formas de identificar e enfrentar situações de violência
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Momento inicial com a professora Nayara da Silva Sousa com estudantes do sexo feminino tratando dos mitos e verdades a partir da leitura de frases / Foto: Divulgação

Estudantes do Colégio Estadual Atanazio de Moura Seixas participaram, no dia 27 de agosto, de uma roda de conversa voltada à conscientização e ao combate à violência contra a mulher. A atividade reuniu alunas da instituição em um momento de diálogo e reflexão sobre machismo, respeito, igualdade e situações de violência que, muitas vezes, acabam sendo naturalizadas no cotidiano.

A iniciativa faz parte do projeto “Elas têm voz”, desenvolvido pela escola por meio de ações contínuas de conscientização. O encontro foi conduzido pela professora Nayara da Silva Sousa, com apoio da direção e da orientação escolar. No ano passado, a professora participou do Curso Por Todas as Marias, experiência que contribuiu para a realização das atividades desenvolvidas com as estudantes.

Durante a roda de conversa, uma das dinâmicas propôs às participantes a identificação de frases e comportamentos de cunho machista. As estudantes receberam cartões nas cores vermelha e verde e foram convidadas a classificar as afirmações apresentadas como mito ou fato. A cada rodada, a professora abriu espaço para que elas justificassem suas respostas e discutissem como determinadas falas podem reproduzir preconceitos e desigualdades.

A atividade reforçou que a violência contra a mulher não se limita às agressões físicas. Discursos, comportamentos e atitudes presentes no cotidiano também podem contribuir para a naturalização de situações de desrespeito e violência.

Músicas foram analisadas pelas estudantes

A música também foi utilizada como instrumento de reflexão. Em grupos, as estudantes analisaram diferentes canções e identificaram trechos e situações que consideravam abusivos, desrespeitosos ou que colocavam a mulher em uma posição de inferioridade.

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Analise das letras de músicas/ Foto: Divulgação

As músicas foram organizadas em um “termômetro”, de acordo com a avaliação das próprias estudantes sobre o grau de conteúdo considerado abusivo ou machista. A classificação ficou, em ordem, daquelas consideradas mais problemáticas para as menos problemáticas: “Perdidos no Bailão”, de MC Giulia; “Até Você Voltar”, de Henrique & Juliano; “Boa Sorte”, de Vanessa da Mata; “Infiel”, de Marília Mendonça; “Ainda Bem”, também de Vanessa da Mata; “Velha Infância”, dos Tribalistas; “Partilhar”, de ANAVITÓRIA; e “Recaídas”, de Henrique & Juliano.

Após a análise, as participantes apresentaram suas percepções e discutiram os motivos que levaram cada música a ocupar determinada posição no termômetro. A proposta buscou mostrar como representações presentes em músicas e outros produtos culturais podem influenciar a percepção sobre relacionamentos, comportamentos e os papéis atribuídos a homens e mulheres.

Além da dinâmica, o encontro abordou temas como respeito mútuo, igualdade entre homens e mulheres e formas de identificar e enfrentar situações de violência. Ao final, as estudantes receberam informações sobre canais de ajuda e denúncia disponíveis para mulheres vítimas de violência.

Para a estudante Ana Lívia Apinajé, do 6º ano, a atividade ajudou a perceber que alguns comportamentos considerados comuns também podem representar situações de violência ou desrespeito.

“Muito legal, eu aprendi coisas que eu não sabia, tem coisas que pensei que era normal e vi que não é”, relatou.

A gestora Susann Manuella Lopes Fernandes ressaltou que levar informação para o ambiente escolar também é uma forma de prevenção. Segundo ela, quando uma mulher consegue compreender e identificar o que caracteriza uma situação de violência, fica mais preparada para reconhecer o problema e buscar ajuda.

A roda de conversa reforça a proposta do Colégio Estadual Atanazio de Moura Seixas de criar espaços de escuta, informação e diálogo para as estudantes. Por meio do projeto “Elas têm voz”, a escola pretende manter ações de conscientização que contribuam para que as alunas conheçam seus direitos, fortaleçam sua autonomia e compreendam que nenhuma forma de violência deve ser tratada como algo normal.

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Momento de discussão onde algumas estudantes relataram suas
experiencias e aprendizados/ Foto: Divulgação
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