Moradores de Augustinópolis têm enfrentado dificuldades recorrentes para agendar a emissão da nova Carteira de Identidade Nacional (CIN) por meio do sistema on-line. Segundo relatos, diariamente, a partir das 9h, usuários acessam o site oficial na tentativa de garantir uma vaga, permanecendo em espera para a liberação dos horários do dia seguinte. No entanto, quando o sistema é atualizado, as vagas já aparecem como preenchidas, acompanhadas da mensagem de que não há mais horários disponíveis para agendamento.
A situação tem gerado indignação entre os moradores, que questionam a transparência e a eficiência do processo. Muitos afirmam tentar o acesso por vários dias consecutivos, sem sucesso, o que levanta dúvidas sobre a real disponibilidade das vagas e possíveis falhas no sistema.
Além disso, um novo elemento aumentou a revolta da população. Uma pessoa que preferiu não se identificar relatou ter procurado um estabelecimento do tipo “cyber” na cidade, onde teria sido informada sobre a oferta de agendamentos mediante pagamento. Segundo o relato, seriam cobrados R$ 10 para garantir uma vaga em até 15 dias e R$ 20 para casos considerados urgentes.

A denúncia levanta suspeitas sobre um possível comércio irregular de agendamentos, já que, em tese, o serviço deveria ser gratuito e acessível a todos por meio da plataforma oficial. Para moradores, a situação causa ainda mais estranhamento, uma vez que as vagas desaparecem rapidamente no sistema público, enquanto terceiros afirmam conseguir agendamentos com prazos definidos.
A reportagem informa ainda que, há alguns meses, a redação já havia procurado o serviço responsável pelos agendamentos, que, em nota, afirmou que o sistema funciona de forma automática. A explicação, no entanto, não foi suficiente para convencer os moradores, que voltaram a procurar a equipe para relatar as dificuldades e questionar o que, de fato, estaria acontecendo no processo de marcação das vagas.
Um caso semelhante já foi registrado recentemente no Brasil. Em dezembro de 2025, a Polícia Civil da Bahia deflagrou a chamada “Operação Vaga Vip”, que investigou um esquema de venda ilegal de agendamentos para emissão da CIN em unidades do SAC. As apurações apontaram que vagas gratuitas do sistema público estavam sendo comercializadas por servidores e intermediários, que chegavam a capturar horários antecipadamente para revendê-los a cidadãos, além de facilitar atendimentos fora da ordem regular mediante pagamento . A operação resultou no afastamento de servidores e no cumprimento de mandados de busca.