“Quem tem coragem de assumir, assume”: Zé Geraldo abraça luta histórica das famílias da Serra das Andorinhas

Em São Geraldo do Araguaia, Zé Geraldo reafirma trajetória de defesa dos trabalhadores do campo e se compromete a atuar pela aquisição de nova área para famílias que perderam suas terras
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Em São Geraldo do Araguaia, Zé Geraldo reafirmou seu compromisso com as famílias da Serra das Andorinhas e com uma luta pela terra que atravessa gerações/ Foto: Daiane Silva

“Os únicos candidatos, e talvez um dos únicos, que têm coragem de fazer campanha, escrevendo num papel, se comprometendo que eu vou defender, e se comprometendo com coisa de 40 anos atrás que ninguém resolveu, somos nós.”

A frase resume o tom da participação de José Geraldo Torres da Silva, o Zé Geraldo, na 2ª reunião da Associação de Moradores Extrativistas e Produtores do Vale da Sucupira, Serra das Andorinhas (AMEPVSSA), realizada no último sábado (29), em São Geraldo do Araguaia, no Pará.

Diante das famílias associadas, justamente aquelas que possuíam terras na região da Serra das Andorinhas, Zé Geraldo assumiu o compromisso de atuar na busca por uma solução para uma reivindicação que atravessa décadas.

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Famílias que foram expropriadas da Serra das Andorinhas/ Foto: Daiane Silva

A reunião teve como principal pauta a busca por uma nova área destinada ao assentamento dessas famílias. O encontro contou também com a presença de Andreyk Maia Sobrinho, superintendente do Incra de Marabá, que firmou o compromisso de buscar e adquirir uma área no entorno de São Geraldo do Araguaia para o assentamento das famílias.

Zé Geraldo se colocou como parte dessa articulação.

Mais do que apresentar uma promessa de campanha, o político procurou vincular sua participação à própria trajetória de atuação junto aos trabalhadores rurais e às pautas relacionadas à terra, à agricultura familiar e à Amazônia.

Uma trajetória construída no campo

A relação de Zé Geraldo com as questões do campo antecede sua chegada ao Congresso Nacional.

Natural de São Gabriel da Palha, no Espírito Santo, José Geraldo Torres da Silva nasceu em 21 de dezembro de 1961. Ainda jovem, dedicou-se à agricultura e, em 1986, filiou-se ao Partido dos Trabalhadores. No Pará, atuou no Diretório Municipal do PT em Medicilândia e foi secretário do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do município.

Sua trajetória eleitoral começou no Pará. Em 1994, foi eleito deputado estadual pelo PT e voltou a conquistar o mandato em 1998. Em seguida, chegou à Câmara dos Deputados, sendo eleito deputado federal em quatro eleições consecutivas: 2002, 2006, 2010 e 2014.

Na Câmara, Zé Geraldo integrou comissões relacionadas a temas diretamente ligados às demandas apresentadas pelas famílias da Serra das Andorinhas, incluindo desenvolvimento regional, Amazônia, energia, direitos humanos e conflitos envolvendo trabalhadores rurais.

Em 2017, por exemplo, participou de uma diligência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara para acompanhar a situação de uma chacina de trabalhadores rurais no Pará, em um contexto de conflitos agrários.

Também apresentou projeto voltado a pequenos agricultores, propondo desconto em multas ambientais quando convertidas em serviços de recuperação de áreas de preservação permanente. A proposta buscava aproximar produção rural e preservação ambiental.

É nesse histórico que Zé Geraldo insere a defesa das famílias da Serra das Andorinhas.

“Eu vim aqui fazer compromisso”

Durante a reunião, Zé Geraldo reconheceu que a situação das famílias não foi criada por ele, mas afirmou que isso não o impede de assumir a responsabilidade política de ajudar a encontrar uma solução.

“Eu vim aqui fazer compromisso. De assumir pepinos que os outros criaram, que os outros deixaram, que eu não tenho culpa nenhuma, que eu não participei, que eu não pude ajudar. Mas é assim que a gente trabalha.”

A fala foi direcionada a famílias que, segundo os relatos apresentados na reunião, carregam há décadas as consequências da saída da Serra das Andorinhas.

Para o político, assumir uma pauta dessa natureza significa enfrentar problemas que permaneceram sem solução por sucessivas administrações.

“Então isso é uma luta política. Isso é um comprometimento.”

A disposição de assumir demandas antigas foi um dos principais pontos de sua fala.

Uma solução que precisa começar pela terra

O encaminhamento construído durante a reunião envolve a busca por uma nova área para as famílias.

Andreyk Maia, superintendente do Incra de Marabá, afirmou que, caso seja identificada uma área adequada e com documentação regular, o imóvel poderá ser vistoriado e submetido aos procedimentos necessários para eventual aquisição.

“Se essa área tiver adequada, a documentação ok, nós vamos vistoriar a área, nós vamos fazer a aquisição da área e vamos assentar as famílias que foram expropriadas.”

Zé Geraldo afirmou que pretende acompanhar essa construção e atuar junto ao processo.

Para ele, entretanto, a solução não pode parar na aquisição da terra.

“Se não, a gente arruma a terra e depois demora mais 10 anos para conseguir uma casa”

Um dos pontos de maior ênfase na fala de Zé Geraldo foi a necessidade de garantir que as famílias tenham condições de reconstruir suas vidas depois de receberem uma nova área.

Durante a reunião, ele defendeu que a aquisição da terra seja pensada juntamente com a construção das moradias.

Ao citar uma estimativa de aproximadamente R$ 107 mil para cada casa, o político calculou que, para 100 famílias, seriam necessários cerca de R$ 10,7 milhões apenas para a construção das residências.

“A gente já trazer um dinheiro para fazer todas as casas.”

E explicou a razão:

“Porque se não a gente arruma a terra, depois demora mais 10 anos para conseguir uma casa.”

A preocupação apresentada por Zé Geraldo é evitar que as famílias, depois de décadas aguardando uma solução fundiária, tenham de enfrentar uma nova espera prolongada para conseguir moradia.

A proposta, portanto, envolve terra, habitação e condições para produção.

Uma história que ainda está viva

A presidente da AMEPVSSA, Gisela da Silva Guimarães, apresentou durante a reunião os relatos das famílias e a relação histórica que elas mantêm com a Serra das Andorinhas.

Os associados da entidade são as próprias famílias que possuíam terras na região, acompanhadas também por familiares.

Gisela relatou que, mesmo depois de algumas famílias passarem a morar na cidade, a propriedade rural continuava sendo um ponto de referência.

“A gente às vezes tinha até ficado aqui pela rua, tinha uma residência aqui, mas a gente tinha pra onde ir. A gente tinha uma referência. Final de semana, pra onde você vai? Eu vou pra minha chácara.”

Formada em Gestão Ambiental, a presidente da associação também afirmou que a reivindicação não significa oposição à preservação ambiental.

Segundo ela, seria possível conciliar a proteção da natureza com a permanência das famílias e o desenvolvimento de atividades sustentáveis.

“Eu sei da importância do meio ambiente. Mas eu sei que é possível continuar cuidando da natureza onde a gente está residindo.”

Ela também defendeu que o turismo poderia ter sido uma alternativa para as famílias.

“Nós poderíamos estar lá continuando com nossas criações, trabalhando o turismo. O Estado poderia ter dado condições para a gente continuar.”

Zé Geraldo e a defesa de quem vive da terra

A agricultura familiar e a permanência das famílias no campo aparecem há anos entre os temas abordados por Zé Geraldo em sua atuação parlamentar.

Em discurso na Câmara dos Deputados, ele defendeu políticas capazes de tornar a agricultura familiar mais competitiva e rentável e também destacou programas como o Pronaf.

Esse histórico ajuda a explicar a ênfase dada por ele, na reunião da AMEPVSSA, à necessidade de garantir que as famílias tenham não apenas um pedaço de terra, mas condições para produzir.

Na proposta discutida com o superintendente do Incra, depois da aquisição da área poderão ser buscadas políticas públicas de crédito, habitação e apoio à produção.

Andreyk explicou que essa seria uma forma de permitir que as famílias reconstruam sua atividade agrícola em um novo território.

Uma responsabilidade assumida no presente

Zé Geraldo também fez questão de destacar que não participou das decisões que levaram à situação atual das famílias.

Mesmo assim, afirmou que está disposto a assumir a responsabilidade política de ajudar a enfrentar o problema.

É justamente essa disposição que ele procurou traduzir ao falar sobre os “pepinos” deixados por outros.

“Eu não tenho culpa nenhuma, que eu não participei, que eu não pude ajudar. Mas é assim que a gente trabalha.”

Para o político, a atuação pública precisa significar justamente a disposição de enfrentar aquilo que ficou sem resposta.

Um compromisso que agora precisa avançar

A reunião terminou com compromissos registrados formalmente em ata.

Andreyk Maia Sobrinho, na condição de superintendente do Incra de Marabá, comprometeu-se a buscar e adquirir uma área no entorno de São Geraldo do Araguaia para o assentamento das famílias associadas à AMEPVSSA.

Zé Geraldo, por sua vez, comprometeu-se a atuar juntamente com o Incra na busca pela aquisição da área.

Ainda não existe uma data definida para a conclusão do processo. A eventual aquisição dependerá da identificação de uma área adequada, análise documental, vistoria e cumprimento dos procedimentos administrativos e legais.

Mas, para Zé Geraldo, o primeiro passo foi dado: colocar novamente na agenda pública uma reivindicação que atravessa décadas e assumir, diante das famílias, o compromisso de ajudar a construir uma resposta.

“Isso é uma luta política. Isso é um comprometimento.”

A reunião foi registrada em ata pela jornalista Daiane Silva, que acompanha o processo e presta assessoria à associação e às famílias envolvidas na reivindicação.

Em 2026, Zé Geraldo disputa novamente uma vaga no Legislativo paraense. Segundo dados eleitorais divulgados para as eleições deste ano, ele concorre pelo PT ao cargo de deputado estadual no Pará, com o número 13.500.

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