Candidato ao Senado pelo Tocantins aparece em segundo lugar entre candidatos de 2026 com maior valor acumulado em autos de infração ambiental. Casos envolvem criação de gado e área de 195 hectares de vegetação amazônica em propriedade no Pará
O deputado federal Alexandre Guimarães (MDB-TO), candidato ao Senado nas eleições de 2026, aparece em segundo lugar entre os candidatos com maior valor acumulado em autos de infração ambiental registrados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Os dois autos relacionados ao parlamentar somam R$ 1.475.470 e estão vinculados à Fazenda Lorena, localizada em Pacajá, no Pará. As autuações foram lavradas em 2024 e envolvem uma área de aproximadamente 195 hectares de vegetação nativa do bioma Amazônico.
Os dados fazem parte de levantamento realizado pela Agência Tatu em parceria com o Intercept Brasil, que cruzou registros de autuações do Ibama com informações de candidatos das eleições de 2026. Ao todo, foram identificados 49 candidatos, de 15 partidos, com aproximadamente R$ 15,5 milhões em autos de infração no período analisado.
Uma área de 195 hectares
O primeiro auto de infração, no valor de R$ 975.470, está relacionado à acusação de impedir a regeneração natural de 195,094 hectares de vegetação nativa, por meio de atividade agropecuária.
Segundo os registros do Ibama, a área está localizada na Fazenda Lorena, em Pacajá, município situado na região sudeste do Pará.
O enquadramento da fiscalização está relacionado ao artigo 48 do Decreto Federal nº 6.514/2008, que estabelece sanções para quem impede ou dificulta a regeneração natural de florestas e demais formas de vegetação.
O valor do auto foi calculado considerando a área de 195,094 hectares e o valor de R$ 5 mil por hectare, chegando aos R$ 975.470.
Área estava embargada desde 2016
O segundo auto, no valor de R$ 500 mil, está relacionado ao descumprimento de embargo ambiental.
De acordo com os dados do Ibama utilizados no levantamento, a área já havia sido embargada em 5 de setembro de 2016.
O embargo abrangia os mesmos 195,094 hectares e estava relacionado à restrição de atividades na área.
Em fiscalização realizada posteriormente, o órgão ambiental identificou a presença de atividade pecuária no local.
O registro aponta a existência de 1.200 bovinos na área embargada.
Para calcular o valor relacionado ao rebanho, a fiscalização considerou peso médio e preço da arroba do gado. O valor estimado dos animais chegou a aproximadamente R$ 6,8 milhões.
O auto de R$ 500 mil foi enquadrado no artigo 79 do Decreto nº 6.514/2008, referente ao descumprimento de embargo.
Alexandre afirma ter comprado a fazenda em 2020
A defesa apresentada por Alexandre Guimarães afirma que ele adquiriu a Fazenda Lorena somente em 2020, quatro anos depois do embargo registrado pelo Ibama.
Segundo o parlamentar, no momento da aquisição não havia informação sobre o embargo registrada no Cadastro Ambiental Rural (CAR) que indicasse a restrição existente na área.
Alexandre afirma ainda que tomou conhecimento posteriormente da situação ambiental e determinou a retirada do gado da área questionada.
O deputado também declarou ter apresentado documentos e defesa no processo administrativo do Ibama e afirmou que não houve dolo em sua conduta.
O que dizem os registros ambientais
Os documentos utilizados no levantamento registram:
- Fazenda: Lorena;
- Município: Pacajá (PA);
- Área: 195,094 hectares;
- Bioma: Amazônia;
- Embargo: registrado em 2016;
- Primeiro auto: R$ 975.470;
- Segundo auto: R$ 500 mil;
- Total: R$ 1.475.470;
- Atividade identificada: criação de gado.
Os dois autos possuem processos administrativos próprios no Ibama.
O auto de R$ 975.470 está vinculado ao processo 02047.000857/2024-02.
Já o auto de R$ 500 mil está relacionado ao processo 02047.000866/2024-95.
O embargo que consta nos registros desde 2016 está vinculado ao processo 02047.000670/2009-61.
Autuação não significa condenação definitiva
Os valores correspondem aos autos de infração registrados pelo Ibama.
A legislação ambiental permite que o autuado apresente defesa e recursos dentro do processo administrativo. Por isso, o registro de uma autuação não significa, necessariamente, que o valor já tenha sido definitivamente consolidado como obrigação de pagamento.
A situação de cada processo precisa ser verificada individualmente para determinar se houve julgamento, recurso, redução, cancelamento ou consolidação da multa.
Alexandre é o segundo candidato com maior valor em autuações
No levantamento da Agência Tatu, Alexandre Guimarães aparece atrás apenas de Ulisses Gonçalves (PL-MA), candidato a deputado estadual no Maranhão, que possui autuação de aproximadamente R$ 3,2 milhões.
O levantamento identificou 49 candidatos de 15 partidos, somando cerca de R$ 15,5 milhões em autos de infração ambiental.
Entre os partidos, o MDB aparece com aproximadamente R$ 1,5 milhão em autuações, valor formado praticamente pelos dois autos relacionados a Alexandre Guimarães.
Candidato ao Senado
Alexandre Guimarães exerce mandato de deputado federal pelo Tocantins desde 2023 e disputa, em 2026, uma das duas vagas do estado para o Senado Federal.
A candidatura coloca os registros ambientais entre os dados públicos relacionados à trajetória do parlamentar.
Os processos do Ibama permanecem vinculados à propriedade localizada em Pacajá, no Pará, enquanto Alexandre sustenta que adquiriu o imóvel posteriormente ao embargo registrado em 2016 e que apresentou sua defesa no processo administrativo.
Os registros consultados apontam dois autos de infração, que totalizam R$ 1.475.470, relacionados à Fazenda Lorena e a uma área de 195,094 hectares de vegetação amazônica. A defesa do candidato afirma que a aquisição ocorreu em 2020 e que ele não tinha conhecimento do embargo no momento da compra.