Com salário de aproximadamente R$ 46 mil, cerca de 55 dias de recesso e sem trabalho aos fins de semana, conheça os deputados do TO que querem adiar o fim da escala 6×1

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Alexandre Guimarães, Eli Borges, Antonio Andrade e Filipe Martins / Foto: Reprodução

Quatro dos oito deputados federais do Tocantins estão entre os parlamentares que apoiaram alterações na proposta de emenda à Constituição (PEC) que trata da jornada de trabalho no Brasil. As mudanças apresentadas modificam pontos centrais do texto original e podem adiar a redução da carga horária semanal por vários anos.

Assinaram as emendas os deputados Alexandre Guimarães, Eli Borges, Antonio Andrade e Filipe Martins, o equivalente à metade da bancada tocantinense na Câmara.

As propostas foram apresentadas pelos deputados Sérgio Turra e Tião Medeiros, no âmbito da comissão especial que analisa a PEC 221/2019 no Congresso Nacional.

O texto original, de autoria do deputado Reginaldo Lopes, prevê a redução gradual da jornada semanal de trabalho para 36 horas. Já uma proposta alternativa, apresentada pela deputada Erika Hilton, propõe a adoção de uma jornada de quatro dias por semana, também limitada a 36 horas.

As emendas apoiadas pelos parlamentares do Tocantins mantêm a ideia de redução da jornada, mas alteram o limite para até 40 horas semanais e incluem mecanismos que tornam a implementação mais lenta.

Entre os principais pontos das alterações estão:

  • previsão de que as mudanças só entrem em vigor após um período de até dez anos da eventual aprovação da PEC;
  • exigência de regulamentação posterior por meio de lei complementar;
  • manutenção da possibilidade de jornadas de até 44 horas semanais para setores considerados essenciais;
  • maior peso para acordos coletivos e negociações entre empregadores e trabalhadores na definição das jornadas.

Na prática, a inclusão desses dispositivos pode postergar a efetiva redução da carga horária no país, com impacto direto no modelo atual de trabalho, que em muitos casos ainda segue a lógica da escala 6×1, seis dias de trabalho para um de descanso.

O debate ocorre em um contexto mais amplo de discussão sobre produtividade, qualidade de vida e organização do mercado de trabalho. Defensores da redução da jornada argumentam que a medida pode gerar mais equilíbrio entre vida pessoal e profissional, além de potencialmente abrir novas vagas de emprego. Por outro lado, críticos apontam possíveis impactos econômicos e custos adicionais para empresas, especialmente em setores que demandam funcionamento contínuo.

Atualmente, deputados federais recebem salário bruto de aproximadamente R$ 46 mil mensais. O calendário legislativo também prevê períodos oficiais de recesso ao longo do ano, além de não haver sessões regulares aos fins de semana.

A PEC 221/2019 segue em análise na Câmara dos Deputados e ainda precisa avançar por diferentes etapas antes de uma eventual aprovação. O texto final dependerá de negociações entre os parlamentares e pode sofrer novas alterações ao longo da tramitação

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