Esperantina-TO – A Escola Municipal Boas Novas realizou, na última sexta-feira (28), a culminância dos projetos desenvolvidos em celebração à Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla e ao projeto “Resgatando o Folclore Brasileiro”. Com o tema “Eu penso, eu sinto, eu faço”, o encontro foi marcado por apresentações culturais, atividades pedagógicas, momentos de conscientização e relatos que aproximaram a inclusão da realidade vivida pelas famílias.
Mais do que uma programação escolar, o evento se transformou em um espaço de escuta, empatia e reconhecimento. Cada apresentação ajudou a mostrar que incluir não significa apenas permitir a presença, mas garantir que todas as pessoas sejam respeitadas, ouvidas, valorizadas e tenham o direito de participar.




Um dos momentos mais emocionantes foi a palestra conduzida por Anita Caroline, que compartilhou sua experiência por meio do conto “A princesa da língua bifurcada”. A história fez alusão à vivência de seu irmão, João Pedro, que tem deficiência intelectual e autismo, e trouxe para o centro da discussão os sentimentos, os desafios e as barreiras enfrentadas diariamente pelas pessoas com deficiência e suas famílias.
Ao falar sobre a experiência, Anita destacou a responsabilidade e a emoção de representar uma causa tão importante:

“Participar da palestra foi muito bom para mim. Ao mesmo tempo, fez-me sentir que tinha muita responsabilidade em minhas falas, pois, naquele momento, eu estava sendo a porta-voz de uma causa muito importante e, principalmente, do meu irmão, João Pedro, que tem deficiência intelectual e autismo.”
Em seu relato, Anita também chamou a atenção para os olhares de julgamento e para as oportunidades que muitas vezes são negadas às pessoas com deficiência:
“Senti que, naquele momento, estava falando pelo meu irmão — de quando ele sente olhares de julgamento e de portas que se fecham para ele pela sociedade, por simplesmente ser quem ele é.”
A participação de Anita foi especialmente significativa para a professora e mãe Maria Helena, que acompanha de perto a realidade da deficiência tanto no ambiente familiar quanto em sua trajetória profissional na educação. Em uma mensagem sobre o evento, Maria Helena ressaltou a importância daquele momento e a emoção de ver a filha contribuindo para a construção de uma escola mais inclusiva.
“Esse evento na Escola Municipal Boas Novas foi muito significativo. Comecei minha vida estudantil aqui e dei meus primeiros passos enquanto professora também nessa unidade escolar. Viver essa experiência de podermos falar sobre a inclusão na prática foi muito gratificante.”
Maria Helena também agradeceu à direção da escola pelo compromisso com o projeto e destacou o envolvimento de Anita na defesa dos direitos do irmão:
“Sou imensamente grata à diretora Maria Antonia por ter abraçado esse projeto, pois é um ser humano que acredita que a inclusão possa ser uma prática. Fiquei imensamente feliz por minha filha Anita Caroline ter feito parte desse momento, pois é uma defensora nata do seu irmão, que é autista e também tem deficiência intelectual.”
A programação contou ainda com oração, música, exibição de vídeo sobre inclusão, apresentação da Árvore da Inclusão, atividades relacionadas ao Atendimento Educacional Especializado, teatro, jogral, Libras, danças, maquete inclusiva, cartazes, brincadeiras e manifestações da cultura popular brasileira. O resgate do folclore esteve presente em contações de histórias, lendas, brincadeiras de roda, desenhos, leitura de mapa folclórico e outras atividades que valorizaram a identidade cultural dos estudantes.
Para a diretora Maria Antonia, a realização do evento reafirma o compromisso da escola com a construção de um ambiente acolhedor e acessível para todos. Em sua fala, ela destacou que a inclusão precisa estar presente nas práticas cotidianas da comunidade escolar:
“Precisamos construir uma escola cada vez mais inclusiva, onde cada pessoa seja respeitada, ouvida e valorizada. Todos têm o direito de aprender, participar e ocupar seu espaço na sociedade.”
A culminância mostrou que a inclusão pode ser trabalhada de maneira sensível, criativa e concreta. Ao unir conhecimento, arte, cultura e experiências pessoais, a Escola Municipal Boas Novas proporcionou aos estudantes e às famílias uma oportunidade de refletir sobre o respeito às diferenças e sobre a responsabilidade de todos na construção de uma sociedade mais justa.
O encontro também deixou uma mensagem essencial: a inclusão começa quando as pessoas deixam de olhar para a deficiência como uma limitação e passam a enxergar cada indivíduo em sua totalidade, com sua história, seus sentimentos, seus talentos e seu direito de pertencer.
“Eu penso, eu sinto, eu faço.”
Esse foi o sentido maior da celebração: pensar sobre a inclusão, sentir a realidade do outro e transformar esse sentimento em atitudes capazes de construir uma escola e um mundo melhor para todos.