Tocantins enfrenta série de afastamentos no Judiciário por suspeitas que vão de assédio a venda de decisões

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Sede do Tribunal de Justiça do Tocantins, em Palmas/ Foto: Elias Oliveira_Cecom TJ-TO

O Judiciário do Tocantins enfrenta um dos períodos mais delicados dos últimos anos, com quatro magistrados afastados de suas funções em meio a investigações que envolvem denúncias de assédio moral, favorecimento em processos e até negociação de sentenças. Parte desses casos está sob análise do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

O caso mais recente envolve o juiz Jefferson David Asevedo Ramos, que atuava na comarca de Augustinópolis. Em outubro, o Pleno do Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO) decidiu pelo afastamento dele por 60 dias, após denúncias de assédio moral. A investigação segue na Corregedoria do próprio Tribunal. A defesa do magistrado foi procurada, mas não se posicionou.

Outro afastamento ocorreu em julho: o juiz Adriano Morelli, titular da 1ª Vara Cível e de Recuperações Judiciais de Gurupi. Ele está afastado por 140 dias por descumprir uma decisão de instância superior e por indícios de favorecimento a uma das partes de um processo. A defesa argumentou que a medida é preventiva e que o processo está na fase final.

Para especialistas, os sucessivos afastamentos ampliam o desgaste institucional.
A professora Tatiana Cosate, do curso de Direito da Unitins, avalia que episódios desse tipo colocam em risco a confiança da população:

“A credibilidade da Justiça depende da postura ética de seus integrantes. Quando condutas inadequadas são apontadas, toda a estrutura judiciária fica vulnerável.”

Outros dois magistrados foram afastados pelo STJ no âmbito da Operação Máximus, que apura suspeitas de venda de decisões judiciais e interferência em promoções dentro do Tribunal de Justiça do Tocantins.

São eles:

  • Desembargador Helvécio Maia Brito, apontado pela investigação como articulador do esquema;
  • Juiz José Maria Lima, investigado por repassar acessos internos do sistema do TJ a terceiros.

A Polícia Federal identificou ao menos 14 episódios suspeitos. Em decisão recente, o ministro Cristiano Zanin considerou a gravidade dos fatos suficiente para manter o afastamento de Helvécio. O CNJ confirmou a medida.

O filho do desembargador, Thales Maia, apontado como um dos operadores do suposto esquema, chegou a ser preso preventivamente, mas cumpre medidas cautelares com tornozeleira eletrônica. A defesa dos investigados não quis comentar.

Em depoimento ao STJ, Helvécio negou as acusações:

“Fiquei muito surpreso com a operação. Estou tranquilo porque sei que essas acusações não procedem. Eu e meu filho fomos vítimas de perseguição.”

O juiz José Maria Lima também alegou inocência em depoimento:

“Tenho certeza que não fiz, que não recebi nada, que não autorizei nada. Estou triste com tudo isso.”

O TJTO informou, por nota, que os casos envolvendo Helvécio Maia e José Maria Lima tramitam no CNJ e no STF. Já as denúncias envolvendo Adriano Morelli estão sen

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