PL denuncia suposta compra de votos e abuso de poder nas eleições de 2024 em Praia Norte

Ação questiona supostas irregularidades nas eleições de 2024, quando Bruna Gabrielle foi eleita prefeita e Abrão Carulino disputou o cargo de vice-prefeito
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Ex-prefeito Ho Che Min, ao centro prefeita de Praia Norte, Bruna Gabrielle e vice-prefeito Abrão Carolino, conhecido como Cabeça - Foto: Reprodução/Internet

A Justiça Eleitoral analisa uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que apura denúncias de suposta compra de votos, abuso de poder político e econômico e uso da máquina pública durante as eleições municipais de 2024, em Praia Norte, no Tocantins.

Na época, a Prefeitura de Praia Norte era liderada pelo então prefeito Ho-Che-Min Silva de Araújo. Durante a disputa eleitoral de 2024, Bruna Gabrielle foi candidata a prefeita, com apoio político de Ho-Che-Min , enquanto Abrão Carulino concorreu ao cargo de vice-prefeito na chapa.

Bruna Gabrielle foi eleita prefeita, tendo Abrão Carulino como vice. Posteriormente, porém, Bruna teve o mandato cassado, e Abrão, que havia sido eleito vice-prefeito em 2024, assumiu o comando da Prefeitura de Praia Norte. Ele é o atual prefeito do município.

A ação foi apresentada pelo Partido Liberal (PL) e reúne uma série de denúncias sobre fatos que teriam ocorrido durante o período eleitoral de 2024.

Pagamentos extras são questionados

Segundo os documentos apresentados na ação, a Prefeitura de Praia Norte teria realizado pagamentos classificados como “outras remunerações” a determinados servidores, totalizando R$ 136.669,86.

A denúncia sustenta que esses pagamentos teriam sido realizados sem critérios objetivos e que alguns beneficiários seriam ligados ao grupo político que apoiava a candidatura de Bruna Gabrielle.

Entre os casos citados está o da vereadora eleita Ivonete Pereira, que, conforme consta na ação, teria recebido R$ 1 mil mensais adicionais ao longo de 2024.

Cerca de 360 servidores são citados no processo

Outro ponto levantado na ação envolve trabalhadores que prestariam serviços à Secretaria Municipal de Educação sem constarem oficialmente na folha de pagamento.

De acordo com depoimento atribuído ao então secretário municipal de Educação, aproximadamente 360 pessoas trabalhariam na pasta e receberiam por meio de recibos internos, sem aparecer na folha oficial da Prefeitura.

A denúncia pede que a situação seja investigada e esclarecida pela Justiça Eleitoral.

Materiais de construção e veículos da Prefeitura

O processo também reúne relatos de eleitores que afirmam ter recebido benefícios durante o período eleitoral.

Entre os materiais mencionados estão tijolos, telhas e cimento, que teriam sido oferecidos ou intermediados pelo então prefeito Ho-Che-Min Silva de Araújo e por candidatos aliados.

Há ainda relatos sobre o suposto uso de caminhões da Prefeitura para o transporte de areia e piçarra destinadas a terrenos particulares.

Eleitor relata recebimento de R$ 1 mil

Uma escritura pública anexada ao processo registra o relato de um eleitor que afirma ter recebido R$ 1 mil em dinheiro vivo diretamente de Bruna Gabrielle e Ho-Che-Min Silva de Araújo.

Segundo o relato apresentado à Justiça, o dinheiro teria sido entregue com o objetivo de garantir apoio e voto nas eleições de 2024.

O depoimento faz parte das alegações apresentadas no processo e ainda será analisado pela Justiça Eleitoral.

Suposta perseguição política

A ação também apresenta relatos de possíveis retaliações contra pessoas que não apoiavam o grupo político que comandava o município na época.

Um ex-servidor declarou que teria trabalhado durante os meses de julho e agosto sem receber salário após manifestar apoio a um candidato adversário.

Outros depoimentos mencionam ainda supostas remoções de servidores efetivos motivadas por questões políticas.

O que pede o processo

O Partido Liberal pede que, caso as irregularidades sejam comprovadas, sejam aplicadas as sanções previstas na legislação eleitoral, incluindo a cassação do registro ou diploma dos envolvidos e a declaração de inelegibilidade pelo prazo de oito anos.

A ação também solicita perícias em áudios e nas cédulas de dinheiro mencionadas nos depoimentos, além da quebra do sigilo bancário das contas municipais, para verificar a movimentação financeira e os pagamentos realizados no período investigado.

O processo tramita na 21ª Zona Eleitoral do Tocantins.

As acusações fazem parte de uma investigação judicial e ainda dependem de análise e decisão da Justiça Eleitoral. A existência da ação e dos depoimentos não significa que todas as irregularidades apontadas tenham sido definitivamente comprovadas.

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